domingo, outubro 22, 2006

Carta aos sobreviventes

Meu querido irmão soldado, foi com pesar imemorável que recebi a notícia de sua morte, após todos esses anos sem contato, havia esquecido das intermináveis e animadas noites com as mulheres das vilas, naquele tempo a guerra era um rumor relativamente distante, e nós recém ingressados nas forças, desejávamos a ação como um leproso à morte, o destino selou nossa separação quando tivemos a chance de entrar no quadro da inteligência e administração, burocratas malditos, matam mais que meu rifle, era o seu brado.

O conhecimento da corrupção exarcebada que acontecia nos salões da seção administrativa tinha nosso ódio, no entanto, eu me vendi. No dia em q assinei minha promoção, matei meu primeiro e último homem diretamente, eu mesmo, depois disso, estaticamente, foram mais 147.000

Ao contrário do que vc achava meu camarada, não estávamos tão distantes em nossos propósitos, a finalidade era matar, os motivos eram diferentes, enquanto eu exterminava vilas, como quem apaga uma conta errada em uma folha amassada de papel por dinheiro e poder, vc, meu querido Carcamano, o fazia por acreditar q a guerra chegaria um dia ao fim... Ela chegou irmão...

O comandante da resistência dos povos do norte foi procurado por nossos infiltrados, em situações normais ele teria voltado em pedaços, mas seu grupamento causou um estrago inesperado nas forças rebeldes, o que o sensibilizou, após passar três dias na sede do comando, tomando vinho e dormindo com as oficiais mais belas da força, envolto em lençóis de seda, não foi difícil ele aceitar nossa proposta de "paz" ele vendeu a posição dos bunckers Andrômeda e Pandora, nossos últimos stigmas, pela segurança da esposa e dos filhos, agora nesse momento oito módulos aéreos tele comandados levam 300.000 m3 de Napalm para lavar sua honra

O comandante da resistência e sua família já foram mortos e jogados as fossas...

A guerra terminou

Beorn Salomom

Oficial analista

Seção de inteligência

Aos Sobreviventes da guerrilha de 2065